O histórico de violência e os ensaios do grupo Sarney para 2018

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O grupo Sarney insiste em propagar a “notícia” de que Roseana será candidata ao governo no ano que vem. Nas redes sociais, a todo momento, surgem grupos com o nome “Volta Roseana”. Outra informação/boato seria de que a mesma Roseana estaria prestes a assumir um ministério no governo do seu correligionário, o golpista Michel Temer (PMDB). Alguns meses atrás, o deputado federal Sarney Filho (PV), atual ministro do meio ambiente, já havia anunciado que é pré-candidato ao senado.

A boataria indica que, ao contrário de 2014, onde o núcleo familiar do grupo Sarney ficou inviabilizado e praticamente não participou da campanha (nem no Maranhão, nem no Amapá), dessa vez ele voltará com a velha ambição de sempre ou, pelo menos, com parte daquela antiga ambição.

Caso Roseana se candidate ao governo em 2018, será a quinta vez que ela disputará o comando do Palácio dos Leões. A primeira foi em 1994, onde ela “venceu” Cafeteira no segundo turno, com uma diferença de pouco mais de 1% dos votos, num pleito marcado por escandalosa fraude eleitoral e violência política. Naquele tempo, o voto não era eletrônico e o Tribunal Regional Eleitoral (TRE) mantinha relações bastante estreitas com José Sarney. Só para que se tenha uma ideia, em dezembro de 1994, na cerimônia de entrega dos diplomas dos “eleitos” no Maranhão, Sarney (já senador pelo Amapá) participou de todo o evento, sentado na mesa ao lado dos dirigentes (juízes/desembargadores) do TRE. Já o caso Reis Pacheco (onde Cafeteira foi caluniado como assassino), revela para história até onde foram os métodos de Sarney para fazer da filha governadora pela primeira vez.

Em 1998, na reeleição de Roseana, praticamente não houve disputa na campanha majoritária e a filha de Sarney deu um passeio, se “reelegendo” ao governo acompanhada de João Alberto, que conquistou ali seu primeiro mandato de senador. A candidatura majoritária de oposição de maior expressão em 1998 foi de Haroldo Sabóia (na época do PT), que mesmo com uma estrutura modesta, teve grande votação para o senado, chegando em segundo lugar, polarizando com João Alberto. Outro fato marcante daquela eleição foi o assassinato do ex-prefeito de Imperatriz Davi Alves Silva, que era candidato a deputado federal e tido como o maior puxador de votos, em uma das chapas concorrentes a do grupo Sarney.

Em 2006, a então senadora Roseana tenta voltar ao Palácios do Leões, mas perde para Jackson Lago. José Reinaldo (ex-PFL) era o governador do Maranhão na ocasião e estava rompido com Sarney, seu antigo padrinho. Sem o apoio do Palácio, a candidatura da filha do oligarca não conseguiu montar o velho rolo compressor de 1994 (com deputados, prefeitos, juízes e empresários) e perdeu no voto. Naquela ocasião, o povo foi para a rua a partir da mobilização do Vale Protestar, que resultou na campanha Xô Rosengana. Inconformado com o resultado das urnas Sarney orquestrou em Brasília o chamado “golpe pela via judiciária”, tirando Jackson do governo em 2009 e recolocando, mais uma vez na marra, sua filha no Palácio dos Leões.

Em 2010, instalada novamente no Palácio, Roseana vai para sua quarta disputa e “vence” no primeiro turno, com pouco mais 50% dos votos, em mais um caso de escandaloso abuso de poder político e econômico, onde até pessoas ligadas a família de Sarney foram presas por compra de votos. Naquele disputa, Flávio Dino (PC do B) ficou em segundo lugar e Jackson Lago em terceiro. Após o resultado da eleição de 2010, algumas organizações sociais entraram na Justiça, numa ação que contou com a assinatura do padre e advogado Victor Asselin.

Todos os quatro governos (ou desgovernos) de Roseana foram marcados pelo descalabro administrativo, clientelismo, escândalos, várias denúncias de fraudes e corrupção, obras fantasmas etc. Logo no primeiro mês, do primeiro governo (em janeiro de 1995), o então deputado estadual Aderson Lago denunciou que Roseana pagou 33 milhões de dólares por uma estrada que não havia sido feita, entre os município de Paulo Ramos e Arame. Aquele era só o anúncio do que viria nos anos seguintes… Vinte anos depois, já no final do seu quarto e último governo (2013/2014), Roseana deixou o estado entregue aos traficantes, dando a sensação (ao Brasil e ao mundo) que o comando político do Maranhão tinha sido transferido do Palácio dos Leões para a penitenciária de Pedrinhas.

Diante desse histórico, muitos analistas apostam que Sarney só lançará novamente Roseana ao governo do Maranhão, em 2018, na hipótese de Michel Temer (parceiro do “evangelista” Eduardo Cunha e do próprio Sarney) conseguir ficar até o final do mandato, tendo força política para interferir no processo eleitoral. Nesse caso, o velho candidato a faraó do Maranhão (que chegou a reservar espaço para um mausoléu no Convento das Mercês) aposta também numa onda conservadora e num possível desgaste do atual governador maranhense, Flávio Dino (do PC do B), a quem Roseana já começou a chamar de Pinóquio…

Fonte: Vias de Fato

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