Foto de Jane Cavalcante.

 

Na tarde desta terça-feira (25), Raimundo  dos Santos Rodrigues, Presidente da Associação dos Pequenos Produtores Rurais do Rio da Onça II e Conselheiro da Reserva Biológica do Gurupi - MA, foi brutalmente assassinado. O crime aconteceu na cidade de Bom Jardim – MA.

 

O camponês estava acompanhado de sua  esposa,  Maria da Conceição Chaves Lima,que também foi alvejada  e se encontra  internada no Hospital Municipal de Açailândia, sob proteção policial. Seu estado de saúde não foi informado.

 

De acordo com as primeiras informações (ainda desencontradas),  o camponês foi morto a tiros e golpes de facão. O casal teria sido pego em uma emboscada armada pelos criminosos, quando eles estavam na estrada que liga a comunidade ao município de Buriticupu-MA. A estrada é uma das vias de acesso á  Reserva Biológica do Gurupi e também á comunidade onde eles moravam.

 

 Segundo informações de pessoas das comunidades, o clima é de verdadeiro terror, pois, madeireiros da região teriam uma lista com os nomes das pessoas que fazem parte do Conselho Consultivo da Reserva Biológica do Gurupi.

 

Raimundo dos Santos era conselheiro desde 2012, bastante combativo, ele denunciava os crimes ambientais praticados por madeireiros ilegais  na região do Vale do Pindaré.  As denúncias teriam despertado a ira desses  madeireiros que atuam na região. Seu “Dos Santos” como era conhecido, deixa seis filhos e até o momento seu corpo ainda se encontra no IML de Açailândia, aguardando liberação.

 

 

 

 

NOTA PÚBLICA DO TERRITÓRIO QUILOMBOLA CRUZEIRO E TRIÂNGULO E DO MOVIMENTO DAS COMUNIDADES QUILOMBOLAS DO MARANHÃO - MOQUIBOM

Nas primeiras horas da manhã do dia 26 de agosto de 2015, os quilombolas das comunidades Cruzeiro e Triângulo retomaram seu território tradicional com o apoio do Povo Indígena Gamela. Esse território foi sendo grilado por fazendeiros desde os anos 80. Em 2009 e 2010 sofreram quatro despejos com ordem judicial a pedido do latifundiário Manoel de Jesus Gomes, que em 2011 foi acusado pelo ministério público de ser um dos mandantes do assassinato da liderança quilombola, Flaviano Pinto Neto do quilombo Charco, município de São Vicente de Férrer.  

Esta situação de violência fez com que O Ministério Público Federal (MPF) movesse Ação Civil Pública contra o INCRA, para obrigar aquela instituição, a concluir a titulação do Território Quilombola Cruzeiro e Triângulo. Apesar de ter decisão favorável à ação movida pelo MPF, até o momento não foi concluído o Relatório Técnico de Identificação e Delimitação- RTID, peça fundamental no processo de titulação de um território quilombola. Em função desse descumprimento de uma decisão judicial, para a efetivação de mandado constitucional, as comunidades quilombolas sofrem todo tipo de ameaça que coloca em risco a vida das lideranças, a soberania alimentar e o  direito à existência da atual e das futuras gerações. 

Aos companheiros, aos irmãos quilombolas e de outras comunidades tradicionais, lançamos o convite: venham,  juntem-se a nós, nessa luta em defesa do nosso modo de viver!

Aos governos, ao Estado Brasileiro, aos grileiros e usurpadores de terras neste país afirmamos: Estamos e sempre estaremos em luta até que toda terra que hoje está presa, seja libertada e seus verdadeiros donos, dela tomem posse novamente.

Diga ao povo que avance!

Avançaremos!

 

 

 

Foto de Vias de Fato.

 

Foi realizada nesta terça-feira (25), Na Comissão Pastoral da Terra em São Luis, uma Coletiva de Imprensa para denunciar a ação truculenta da polícia militar em um acampamento quilombola no município de Mirinzal-MA.

No último dia 21, comunidades quilombolas viveram momentos de grande apreensão e pânico devido à ação de policiais militares que chegaram fortemente armados no acampamento. Desde o dia 28 de junho, quilombolas em protesto, apreenderam um carro da prefeitura e interditaram uma estrada vicinal que liga a comunidade Aranha á sede do município para proteger seu território da ação predatória de retirada de areia para a construção civil por empresários da região. A retirada ilegal da areia tem causado grandes prejuízos ambientais às comunidades. Os quilombolas exigem também a recuperação da estrada e a conclusão da escola da comunidade quilombola Rio do Curral.

Segundo os quilombolas, por volta das 18h, os policiais chegaram ao acampamento ameaçando e intimidando as comunidades e prometeram retornar com mais efetivo policial para destruir o portão e se houvesse reação, esta seria contida com bombas de efeito moral e prisão dos líderes do acampamento.

No retorno à sede do município, a poucos metros do acampamento encontraram  JOSÉ RIBAMAR SILVA,  quilombola, 73 anos de idade, os policiais pararam a viatura, desceram portando armas de grosso calibre e ordenaram que ele entrasse na viatura. “Imediatamente eles determinaram que eu pusesse as mãos na cabeça e começaram a me revistar, depois da revista  ordenaram que eu entrasse na viatura e me levaram para à delegacia”.   A sua detenção não foi comunicada à qualquer pessoa da sua família ou das comunidades quilombolas acampadas.

Alguns quilômetros adiante os policiais encontraram o quilombola Francisco, que vinha da cidade, onde fora concertar o pneu de uma moto, sem qualquer justificativa, obrigaram-no a conduzir a moto para o pátio do quartel da PM, na sede do município.  As condições precárias da estrada e o medo, não permitiam Francisco pilotar o veículo com mais rapidez. Temendo que os quilombolas acampados soubessem das prisões, os policias ordenaram que o quilombola  entregasse a moto e o deixaram  na estrada escura e deserta.

Na cidade de Mirinzal, o quilombola José Ribamar Silva foi levado ao quartel da Polícia Militar e depois à Delegacia de Polícia Civil da cidade para prestar depoimento sem assistência de advogados/as ou de qualquer membro de sua família. O senhor José Ribamar que  sabe apenas assinar o seu nome foi constrangido a assinar o depoimento sem que antes tivesse sido feita a leitura do depoimento prestado. Depois de ter assinado, foi informado pelos policiais civis de que seu  depoimento seria encaminhado à justiça.

 

A CPT fez uma representação junto ao Ministério Público Federal e cobrou providências do Governo do Estado. “ As comunidades são agredidas e violentadas pelo Estado que deveria lhes proteger” declarou Padre Clemir Mineiro, Coordenador da CPT.

De acordo com o padre, logo após a coletiva houve uma reunião com representantes do governo e ficou agendada para o dia primeiro de setembro uma reunião pela manhã em Mirinzal com a Secretaria de segurança Pública, Secretaria de Meio Ambiente, Secretaria de Direitos Humanos e a Prefeitura do município. À tarde, a reunião será com as comunidades dentro  do acampamento.

 

 

 

Os homens fizeram trabalhadores de reféns e os ameaçaram de morte caso a área não seja desocupada.

 

Cerca de 20 homens fortemente armados invadiram na manhã desta segunda-feira (24),  o acampamento Egídio Brunetto, em Amarante do Maranhão. 


Os homens fizeram trabalhadores de reféns e os ameaçaram de morte caso a área não seja desocupada.


As informações dão conta que durante todo o dia de ontem, domingo (23), sobre o comando de Eunice Murta, suposta proprietária da área, os milicianos rondaram toda a região amedrontando comunidades vizinhas à ocupação.


O grupo armado definiu a próxima quarta-feira (01), como prazo limite para que as famílias desocuparem de forma "voluntária" e "pacifica" a área, sob a pena de serem retiradas à força.


O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra já levou ao conhecimento da Secretaria de Segurança Publica do Estado o ocorrido, e solicita ação imediata do órgão a fim de evitar um conflito maior, já que a milícia se encontra acampada na sede de uma fazenda vizinha a 10 km da ocupação.


Como parte dos acampados é do Município de Açailândia, alguns dos milicianos foram reconhecidos como Policiais Militares da 5ª Companhia da PM-MA de Açailândia.

 

Histórico da área 

 

O Acampamento Egídio Brunetto está localizado na Fazenda São Francisco, ocupada pelos Sem Terra no sábado (15).


A propriedade faz parte da Gleba Sitio Novo, onde outros oito grileiros se apropriaram da área que soma mais de dez mil hectares e que, segundo informações, do Instituto Nacional de Colonização Agrária (Incra), são áreas pertencentes à União Federal.


A Gleba atinge cerca de cinco municípios e se consolida como uma região onde impera o trabalho escravo e a pistolagem moderna, ou seja, substituíram os “jagunços” por milícias armadas preparadas para aterrorizar comunidades rurais na região.


A coordenação estadual do MST afirma em nota que se trata da mesma articulação, que aterroriza há oito anos as comunidades Cipó Cortado e Batata da Terra em senador La Roque, um dos municípios da região abrangida pela Gleba.


Os Sem Terra aguardam um posicionamento do Incra e do Terra Legal sobre situação na região do acampamento Egídio Brunetto.

Por Reynaldo Costa

 

Foto de Vias de Fato.

 

 

A Comissão Pastoral da Terra realizará uma Coletiva de Imprensa nesta terça-feira (25), para denunciar o terror causado por policiais militares em um acampamento quilombola localizado no município de Mirinzal-MA. Entre os vários abusos da Polícia, consta a prisão arbitrária de JOSÉ RIBAMAR SILVA, um senhor de 73 anos. Sua prisão não foi comunicada a qualquer pessoa da sua família ou das comunidades quilombolas. O senhor José Ribamar Silva que sabe apenas assinar o seu nome foi levado quando estava fora do acampamento e constrangido a assinar um depoimento sem que antes tivesse sido feita a leitura do depoimento prestado. Depois de ter assinado, foi informado pelos policiais civis de que o depoimento seria encaminhado à justiça. A coletiva será realizada ás 9:30h, na sede da CPT, em São Luis-MA.
Telefone: 32224243

Serviço: COLETIVA DE IMPRENSA
QUANDO: TERÇA-FEIRA (25)
HORÁRIO: 9:30H
ONDE: CPT – Rua do Sol,457, Centro.

 

 

Os atropelamentos aconteceram nos municípios de Alto Alegre do Pindaré e Miranda do Norte

Francisco Vieira trabalhava como lavrador e todos os dias cruzava a linha do trem para realizar suas atividades. Na madrugada do dia 25 de julho, quando voltava para casa, fatalmente foi atropelado pelo trem da mineradora Vale S/A, no povoado de Auzilândia em Alto Alegre do Pindaré (MA).

 

Há quase dois anos, no mesmo trecho da Estrada de Ferro Carajás (EFC), também morreu Geraldo Vieira, pai da vítima. Testemunhas contam que ao tentar atravessar a ferrovia, seu Geraldo se desequilibrou e caiu sobre os trilhos, por sua idade avançada não conseguiu se levantar a tempo e acabou sendo atropelado. Com a morte do pai, Francisco virou o mantenedor da família e cuidava do seu irmão que é portador de necessidades especiais, da cunhada e do sobrinho. O lavrador deixou uma filha que está grávida e dará à luz nas próximas semanas.

 

A empresa Vale não prestou nenhum tipo de apoio à família e reduziu sua responsabilidade à compra do caixão, pois a família alegava não ter condições financeiras para realizar o sepultamento da vítima. Embora exista um viaduto no povoado, os moradores reclamam da distância que têm que percorrer para fazer a travessia de forma segura. Durante a noite não há iluminação no local e a população acaba se expondo ao risco, para que suas atividades sejam realizadas no horário previsto.

 

Segundo dados da Rede Justiça nos Trilhos, a cada três meses em média duas pessoas morrem atropeladas pelos trens operados pela Vale, no corredor de Carajás. Em 2007, foram contabilizadas 23 mortes; em 2008, o número caiu para nove vítimas fatais, mas foram registrados 2.860 acidentes ao longo da ferrovia. A cidade com maior índice de atropelamentos é Alto Alegre do Pindaré (MA), pois o trem de carga fica parado no meio da cidade entre três a quatros horas por dia, impedindo a passagem de pedestres e de carros. Quando sai, não avisa, atropelando muitas pessoas que estão tentando a travessia por debaixo dos vagões.

 

Outra vítima em Miranda do Norte, população reage e ocupa a ferrovia

Um homem morreu ao ser atropelado por um trem na Estrada de Ferro Carajás (EFC) no fim de semana, em Miranda do Norte (MA), a 124 km de São Luís. O acidente aconteceu na madrugada de domingo (9/8). Segundo investigações preliminares, a vítima estava deitada sobre a ferrovia. Manifestantes ocuparam o trecho onde aconteceu o acidente.

A mineradora Vale, que faz uso em concessão da ferrovia, esclareceu que prestou assistência à vítima, acionando imediatamente as equipes de socorro e autoridades policiais para que tomassem as devidas providências. A vítima foi conduzida ao Hospital Municipal de Arari, mas não resistiu aos ferimentos e morreu.

Segundo a empresa, as operações do trem de carga da EFC estiveram paralisadas. O trecho da ferrovia no Km 108 foi ocupado por manifestantes que atearam fogo e danificaram parte da estrutura da linha de ferro. Na manhã do dia 10 de agosto, as operações foram retomadas.
 

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