A imagem pode conter: texto
 

 

 

Neste domingo, dia 31 de julho, a partir das 9h, na Casa das Águas, povoado do Taim, na Zona Rural II de São Luís, acontece o I Seminário de Pesquisa da Resex de Tauá-Mirim, realizado por três programas de pós-graduação da Universidade Federal do Maranhão (mestrados e doutoramento): Saúde e Ambiente, Ciências Sociais e Políticas Públicas.

O Seminário de Pesquisa apresentará às comunidades da área da Reserva Extrativista de Tauá-Mirim o resultado de dissertações de mestrado e teses de doutorado que tiveram como objeto a luta das comunidades pela criação dessa unidade de conservação: a iniciativa tem como objetivo devolver o conhecimento produzido junto às comunidades que lutam há mais de uma década pela criação da Reserva, cuja efetivação depende do acordo entre os governos estadual e federal para que a presidência da República dê o processo de criação como concluído.

A criação da Reserva Extrativista de Tauá-Mirim é a forma que as comunidades encontraram para assegurar seus territórios, ante a pressão para que cedam espaço às indústrias que vão se apropriando da área com o passar do tempo, num processo irregular de expansão industrial que vem desde os anos 1970 e que já resultou na remoção compulsória de várias comunidades, diminuição da zona rural da cidade e poluição ambiental cujos impactos não vêm sendo, segundo os pesquisadores e as comunidades e seus aliados, devidamente fiscalizados pelos governos, mas sentidos pelas comunitários (poluição sonora, do ar, do solo, mangues e águas) e que podem afetar a toda a cidade e mesmo a parte continental do Maranhão.

Dado esse cenário, a questão foi objeto de vários estudos, e alguns deles terão seus resultados apresentados para as comunidades neste domingo, como forma de marcar um ano da declaração, pelos próprios povoados, de criação da Reserva, e também como forma de subsidiar as lutas pelo território. Alguns trabalhos foram desenvolvidos no âmbito da Universidade Federal do Maranhão, bem como de outros centros de pesquisa, como o Instituto de Filosofia e Ciências Sociais (IFCS) da Universidade Federal do Rio de Janeiro, entre outros. Boa parte dessa produção foi desenvolvida por membros do Grupo de Estudos: Desenvolvimento, Modernidade e Meio Ambiente (GEDMMA), ligado aos programas de Pós-Graduação em Ciências Sociais e em Políticas Públicas da UFMA.

Junto às discussões, aliando saberes tradicionais e científicos, haverá ainda apresentação da cultura produzida pelos comunitários, com a participação do Tambor de Crioula do Taim. Além das diversas pesquisas desenvolvidas Brasil afora, a Resex de Tauá-Mirim já foi objeto de livro publicado pelo GEDMMA, que narra a luta pela sua criação.

 

Sobre a Resex:

A solicitação de instalação da Reserva Extrativista configura-se, atualmente, como um dos desdobramentos que surgiram da mobilização crescente dos povoados ameaçados pela instalação de grandes projetos de desenvolvimento na Ilha do Maranhão.

A área proposta para a Reserva abrange os povoados (muitos deles centenários) Limoeiro, Porto Grande, Rio dos Cachorros e Taim; engloba também parte da Vila Maranhão e do Cajueiro, e a Ilha de Tauá-Mirim, na qual localizam-se os povoados Amapá, Embaubal, Jacamim, Portinho e Tauá-Mirim, e um amplo espelho d’água, totalizando 16.663,55 hectares e perímetro de 71,21 km. Do livro "Ecos dos conflitos socioambientais: a RESEX do Tauá-Mirim" (GEDMMA/UFMA).

 

Serviço:

I Seminário de Pesquisa da Resex de Tauá-Mirim, realizado pelos programas de pós-graduação em Saúde e Ambiente e em Ciências Sociais da Universidade Federal do Maranhão e pelas comunidades da Reserva Extrativista de Tauá-Mirim: apresentação de pesquisas de mestrado e doutorado que tiveram como objeto as disputadas em torno da criação da Reserva Extrativista de Tauá-Mirim, em São Luís

Data: 31 de julho, domingo, 9h, na Casa das Águas, Comunidade do Taim, Zona Rural II de São Luís

Serão apresentados os seguintes trabalhos:

1. Repertórios e argumentos da Mobilização Política na Zona Rural de São Luís – MA Prof. Dr. Élio de Jesus Pantoja – Tese de doutorado defendida no Programa de Pós-graduação em Sociologia e Antropologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro

2. Bacia Hidrográfica do Rio dos Cachorros; população, saúde e ambiente – Enfª Ms Denise Cristine – Dissertação de mestrado defendida no Programa de Pós-graduação em Saúde e Ambiente da Universidade Federal do Maranhão

3. Arenas, Repertórios e Ações: o processo de tentativa de implantação do Terminal Portuário de São Luís no Povoado Cajueiro – Prof. Ms Jadeylson Moreira – Dissertação de mestrado defendida no Programa de Pós-graduação em Ciências Sociais da Universidade Federal do Maranhão

4. Qualidade do ar e suas implicações na saúde da Comunidade de Vila Maranhão, São Luís (MA) - Profa. Ms Marly Vieira Viana - Dissertação de mestrado defendida no Programa de Pós-graduação em Saúde e Ambiente da Universidade Federal do Maranhão

 

Foto da capa
 
 

 

Nós, Povos Krepym Katejê, Krenyê, Pyhcop (Gavião), Tentehar/Guajajara, Gamela, Tremembé e Krikati e Comunidades Quilombolas, CIMI, Pastoral Indigenista, CPT, MOQUIBOM realizamos o I Encontro da Teia de Povos Indígenas, no Crêh (aldeia) Geralda Toco Preto do Povo Krepym Katejê, município Itaipava do Grajaú – MA, nos dias 22 a 24 de julho de 2016. 
Somos parte da Teia de Povos e Comunidades Tradicionais do Maranhão que reúne Povos Originários, Comunidades Quilombolas, Pescadores Artesanais, Ribeirinhos, Quebradeiras de Coco, Gerazeiros e Sertanejos para compartilhar as experiências de cuidados com os nossos territórios, nossos cantos, nossas danças, cores, sabores, saberes e nossa autonomia na construção do Bem Viver.
Nestes dias reafirmamos nossa decisão de continuar unidos para resistir e defender nosso Direito de Viver livres e com autonomia em nossos Territórios frente às ameaças do Estado e dos projetos de morte do capital. 
O alinhamento de interesses do Estado brasileiro – Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário – com o capital é responsável pela não demarcação e homologação de nossos territórios; pelas propostas de leis em tramitação no Congresso Nacional com o objetivo de desmontar os direitos garantidos na Constituição Federal e em Tratados Internacionais; o sucateamento da FUNAI e os constantes cortes orçamentários na politica indigenista; os assassinatos, as ameaças, e a criminalização dos povos que se insurgem contra o genocídio.
Sentimos a dor da Mãe Terra agredida pelo monocultivo do eucalipto, da cana-de-açúcar e da soja, pela mineração, pela barragem dos rios, pela destruição das florestas, expansão da pecuária, construção de ferrovias, portos e linhas de transmissão de energia. Esses projetos que conhecemos com os nomes de Programa Grande Carajás e Plano de Desenvolvimento Agropecuário do MATOPIBA integram o modelo de desenvolvimento capitalista.
Apesar desses projetos de morte continuamos a resistência e a insurgência na defesa da Mãe Terra e dos nossos povos. Por isso, estamos retomando nossos territórios, revitalizando a nossa cultura, nossos rituais, nossas próprias organizações com a transmissão da sabedoria dos anciãos e anciãs às novas gerações.
Reafirmamos o compromisso de continuar tecendo a Teia com nossas cores, nossas pinturas, com o som dos nossos Maracás, com o ritmo dos nossos pés em dança, a agilidade das nossas mãos e o calor dos nossos abraços. Neste espaço, com fios de esperanças, somos tecedores e tecedoras de territórios livres.
Territórios Livres, Tecendo o Bem Viver!
24 de julho de 2016
Território Geralda Toco Preto – Povo Krepym Katejê

 

 “Não aceitamos ser tutelados, estamos organizados....Respeitem nosso jeito de ser, viver e se

organizar em nossa casa, nosso territorio e proteger nossa floresta”
 
Nós povo Ka’apor sabemos cuidar, viver e proteger nosso territorio, cultivamos a vida e
fazemos isso a mais tempo do que os livros dos Kamara contam. Fazemos a nossa parte, mas o
governo ainda não fez a parte dele. Ficamos ameaçados se o governo não faz a parte dele e
ainda fica interferindo em nossa organização e não respeita nossos direitos. Por isso a gente
quer falar um pouco para o Brasil o que acontece com a gente, por que lutamos e não aceitamos
mais ser mandado e controlado pelo governo.
A Terra Indígena Alto Turiaçu é uma pequena parte do grande território que a gente vivia
antes ser invadido, tomado a força da gente, perseguindo e matando nossos parentes, e o
governo nem consultou a gente. Por isso que a gente continua lutando pra não perder o que
temos.
Lutamos sozinhos durante esses anos, enfrentamos e expulsamos madeireiros. Por causa
disso, mataram 5 lideranças, agrediram e atiraram em nossos guardas florestais, invadiram duas
aldeias, madeireiros sequestraram Iraúna ka’apor, estão ameaçando matar mais de 8 lideranças
e apoiadores de nossa luta em defesa de nosso território. Tudo isso denunciamos para os órgãos
do Estado, para Funai, IBAMA, para Policia Federal, MPF em São Luís e para relatora da ONU em
Brasília.
Agora nossos inimigos não conseguem entrar com tratores, jericos, motosserras,
caminhões, atirar na gente. Estão usando funcionários da Funai e de outros órgãos do governo
do Estado para dividir nossas lideranças, tirar nossa atenção de proteger nosso território, acabar
com nossa organização e jeito de proteger nosso território. Eles estão fazendo reuniões, falam
mal de nossa organização, querem tirar Itahu Ka’apor da CTL Zé Doca, acabar como nosso
Conselho de Gestão Ka’apor, tomar e controlar nossa associação, afastar nossos apoiadores e
parceiros, prometendo dar estrutura para aldeias e mudar o jeito de trabalho dos Ka’apor. Eles
deveriam seguir o que o juiz mandou que é criar bases de vigilância e fiscalização em nosso
território, prender os assassinos que mataram nossos parentes esses anos, investigar o sumiço
de nossa parente Iraúna Ka’apor, dar condições para os Kamara que moram perto de nosso
território viverem bem para não explorar nosso território.
Desde 2009 a gente vem organizando nossa educação, saúde, assistência, protegendo
com mais força nosso território e melhorando nossa alimentação. Em dezembro de 2013 em
nossa assembleia decidimos voltar nossa forma tradicional de se organizar, decidir, proteger
nosso território e viver sem ameaçar e destruir a floresta. Criamos o Conselho de Gestão Ka’apor
que representa nossos antigos TUXÁ. Nossos Tuxá são guerreiros, guardam nossos costumes, nossa
cultura original, trabalham para nosso povo servindo e protegendo nossa cultura e território. Nessa
assembleia escolhemos um grupo de lideranças. A gente vem acompanhando o trabalho de todos.
Criamos um Acordo de Convivência interno que diz que nosso povo, nossas lideranças não podem falhar
com nossa cultura e adotar a cultura, costumes dos Kamará que enfraquece nossa cultura, nossa vida e
ameaça nosso território.
Não vamos aceitar que essas pessoas que chegaram no final do ano passado destruam nosso
trabalho e organização que construímos com suor, muita luta pra melhoria de nossa vida. Assim como
não aceitamos os ataques contra nossos parentes Guarany Kaiowá, Tupinambá, Munduruku, Pataxó
Hãhãhãe, Gamela e outros.
Nosso Conselho de Gestão Ka’apor visitou, consultou e reuniu com a maioria dos conselhos das
aldeias e todos decidiram que:
- O nosso Conselho de Gestão Ka’apor quem escuta e decide pelo nosso povo
- Manter e continuar criando Conselho nas Aldeias
- Manter e ampliar nossa Guarda Florestal Ka’apor
- Manter e ampliar nossos Ka’a usak ha ta – Áreas de Proteção Ka’apor com sistemas solares
- Manter e ampliar nossos Agentes Agroflorestais Ka’apor
- Manter e ampliar nossas experiências de Agrofloresta Ka’apor em nossas áreas de Proteção
valorizando nossa cultura tradicional para a criação de nossa Ma’e Hain rok (Casa de Sementes)
- Manter nosso Centro de Formação Saberes Ka’apor como espaço de Educação e Formação Ka’apor
- Manter nosso jeito de Educar e organizar como orienta nosso Projeto Pedagógico e Curricular Ka’apor
- Manter e maior respeito aos nossos Gestores de Educação Ka’apor
- Manter nossa participação na Gestão de nosso Polo Base de Saúde Indígena com orientação de nosso
Pajés
- Manter Itahu Ka’apor na Coordenação Técnica Local e Gestor em nossa Assistência Social
- Manter as parcerias e apoios na educação, saúde e proteção territorial
- Manter a gestão territorial e ambiental pelos Agentes Agroflorestais e Guardas Florestais
Ka’apor
Não aceitamos que funcionários do governo mande, controle, divida e destrua nosso povo e
nossa organização.
Não aceitamos nenhum golpe! Vamos continuar lutando em defesa de nossa autonomia,
floresta e território!
Aldeia Ximborenda, 17 e 18 de julho de 2016.
Conselho de Gestão Ka’apor.
Conselho da Aldeia Ximborenda,
Conselho da Aldeia Waxiguirenda,
Conselho da Aldeia Zé Gurupi,
Conselho da Aldeia Bacurizeiro,
Conselho da Área de Proteção Jumu’eha renda Keruhu ou Centro de Formação Saberes Ka’apor,
Conselho da Área de Proteção Ywyãhurenda,
Conselho da Área de Proteção Ypahurenda,
Conselho da Área de Proteção Jaxipuxirenda,
Conselho da Área de Proteção Eirhurenda,
Conselho da Área de Proteção Akadju’yrenda,
Lideranças Aldeia Capitão Mirá,
Lideranças Aldeia Piquizeiro,
Lideranças Aldeia Cumaru,
Lideranças da Área de Proteção Tawaxirenda

 

Foto de Teia dos Povos e Comunidades Tradicionais do Maranhão.

 

 

Com grande preocupação denunciamos que na noite ontem, dia 15 de julho, nossa Casa de Reunião foi incendiada criminosamente.

Nessa Casa, agora destruída, tomamos decisões importantes para o nosso povo, entre as quais a retomada da nossa Terra Tradicional.

Em fevereiro de 2015, acolhemos o II Encontro da Teia de Povos e Comunidades Tradicionais do Maranhão, do qual participaram Comunidades Quilombolas, Quebradeiras de Côco, Ribeirinhos, Pescadores e Indígenas Ka'apor, Krenyê, Krepym Katejê, Krikati, Gavião e Guajajara.

Em novembro de 2015, na mesma Casa, realizamos nossa II Assembleia.

Esse ato criminoso não nos intimidará, tampouco nos fará desistir da luta para libertar a nossa Terra às gerações futuras e aos nossos Encantados.

Desde o início da retomada do nosso Território sofremos inúmeras ameaças e ataques por parte dos fazendeiros e seus aliados, sem que tenham sido tomadas providências por parte das autoridades competentes.

Exigimos que a FUNAI inicie imediatamente o procedimento para demarcação do nosso Território e que as ameaças e ataques sejam apurados e seus autores, punidos.

Aldeia Cajueiro - T.I Gamela, 16 de julho de 2016

Campanha

Assine agora mesmo o Vias de Fato!

Compartilhe

Edições - Jornal Vias de Fato

Fique antenado


videoteca

Videos

GUERRILHAS