Cerca de 200 professores ocuparam nesta quarta-feira (23/07), com o apoio do MST, a Prefeitura Municipal de Imperatriz, segunda maior cidade do Estado do Maranhão.

Os professores estão em greve há mais de 80 dias. Reivindicam reajuste salarial de 13% e a aplicação do plano de cargos e carreiras para os servidores da educação do Município.

Apesar de quase três meses de greve, o Prefeito Sebastião Madeira (PSDB), não atende os servidores. A única proposta do Prefeito foi um reajuste salarial de 0%.

A ação principal do gestor frente à greve foi cortar o pagamento de mais de mil professores, mesmo com ordem judicial autorizando que os professores sejam pagos.

Por Reynaldo Costa
Da Página do MST

 

 

Por Marcio Zonta
Do Brasil de Fato


O tempo de vida de um homem é o período histórico que reflete seu papel na sociedade.

Poucas pessoas resistiram viver por longos anos ameaçados pela morte, na mira de uma arma muitas vezes oculta, mas apontada para aqueles que incidi­ram contra o revés da história política brasileira.

Prestes a completar 80 anos de vida, o maranhense Manoel Conceição San­tos, ou como é chamado pelos compa­nheiros e familiares, Mané da Concei­ção, é um desses personagens vivos da memória do país, que perdurou na luta de classes em diversos momentos.

Começou sua trajetória, “pura mili­tância”, como prefere descrever sua in­separável companheira Denise, orga­nizando em sindicato os trabalhadores rurais que tinham suas pequenas parce­las de terras ameaçadas pelos latifundi­ários em Pindaré Mirim (MA), na meta­de do século passado.

Daí em diante, virou um dos princi­pais líderes camponeses do Nordeste e passou a colecionar histórias, desafetos e companheiros pelo mundo.

Minha perna é a minha classe

Uma das passagens que o marca como pessoa e lutador do povo acontece ainda na pequena Pindaré Mirim. Preocupado com a situação de atendimento precá­rio da saúde no município maranhense, que não dispunha de um médico, con­tratou um profissional para atender a população no próprio sindicato.

Tal atitude causou a fúria das autori­dades locais. No primeiro dia de aten­dimento, agentes do Estado invadiram o sindicato atirando. Mané foi alvejado com dois tiros de revolver no pé esquer­do e dois tiros de fuzil no pé direito, le­vando à amputação desse membro.

O policial que atentou contra a vida de Mané, temendo a represália dos campo­neses, disse à época que o mandante do ataque era o governador do Maranhão, José Sarney.

Na ocasião, Mané escreveu uma carta, datada de 27 de julho de 1968, do alto de seu leito num hospital em São Luis, firmando uma frase que o identificaria internacionalmente. “Aos que pensam que arrancaram minha perna, quero di­zer que se enganam: Minha perna é a minha classe”.

Pós – recuperado, é convidado por entidades da esquerda nacional para uma viagem pela Europa, Oriente Mé­dio e para a China, onde fez um curso de guerrilha.

Na volta, os milicos, insatisfeitos com o itinerário realizado pelo camponês, o esperavam. Foi preso e torturado em di­versas partes do país, por onde peram­bulou por cadeias. Em São Paulo, foi brutalmente espancado sob a supervi­são do então delegado Romeu Tuma na sede do Departamento de Ordem Políti­ca e Social (DOPS).

“Depois de três anos e meio preso, os militares diziam que só tinham duas sa­ídas para o Mané, ou a morte ou ir em­bora do país”, relembra Denise.

O nome do camponês estava em di­versas listas de comitês internacionais que lutavam pela libertação de presos políticos no Brasil.

Solto, em 1975, vai para o exílio na Suíça, tendo como companheiro Paulo Freire. Ambos organizavam refugiados políticos na Europa e denunciavam as atrocidades do governo militar.

Anistiado em 1979, volta ao país e, para quem acha que Mané tinha can­sado, “é um dos principais protagonis­tas pela retomada da luta de terra no Maranhão”, rememora Valdinar Bar­ros, coordenador do assentamento Vi­la Conceição.

Dessa forma, ajuda a organizar os principais sindicatos rurais combati­vos, além de levar o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) para a região.

“Manoel da Conceição ainda contri­buiu na organização de entidades im­portantes no cenário nacional, co­mo a Central Única dos Trabalhado­res (CUT), o Partido dos Trabalhadores (PT) – o camponês é o terceiro a assinar a ata de fundação do partido – e o Cen­tro de Educação e Cultura do Trabalha­dor Rural (CENTRU)”, elenca o histo­riador Raimundo Lima dos Santos.

Embora encharcado de uma vida, que por si só se confunde com o último pe­ríodo da história do país, Mané recebeu a reportagem do Brasil de Fato sere­no, lúcido, porém cego de um olho e com um problema de saúde que acomete sua memória. Os médicos dizem ser conse­quência de um Acidente Vascular Cere­bral (AVC), além das várias pancadas que levou de seus inimigos na cabeça.

O local do encontro para a entrevista é a Vila Conceição, a primeira ocupação de terra no Maranhão, em 1987, tendo o camponês como um dos líderes da ação. Sob uma tarde quente, na cidade de Im­peratriz e uma ventania que sopra, mas não ameniza o calor da biografia de Ma­né da Conceição.

Sentado, com uma postura firme, apesar de fazer uso de prótese na perna direita, parece deixar um recado. Hoje, não tendo mais como guardar sua pró­pria história “entrego-a à minha classe para que outros dêem continuidade à minha vida”.

Brasil de Fato – Qual o significado da terra para o camponês?

Manoel da Conceição – A terra é pa­ra servir a vida, a base de uma socie­dade humana e fraterna. Olha hoje es­se assentamento que nós estamos, to­do mundo com sua terra para produzir e não morrer de fome.

Quando o senhor se engaja na luta pela terra?

Eu nasci em 1935, na região da Pedra Grande no Maranhão e lá minha famí­lia já tinha problema com os fazendei­ros. Mas, eu comecei a luta pela terra em 1957, em Pindaré Mirim, porque ti­nha uma contradição com os fazendei­ros. Eles soltavam os gados para comer a roça das famílias. Tínhamos um le­ma: “O gado que come roça, come ba­la”, matávamos o gado todinho e distri­buía para as famílias camponesas.

Essa é primeira constatação que havia interesses distintos entre camponês e latifundiário?

Sim, era a figura do dono da terra e os despossuídos do chão. Nunca pode­mos acreditar que um dia os latifundi­ários vão se arrepender das atrocidades que cometem contra os trabalhadores rurais. “Para os inimigos a nossa força, para os companheiros, compreensão”. Esse era outro lema dos camponeses, que começavam a se organizar em sin­dicatos rurais na década de 1960 no in­terior do Maranhão.

É o tempo da luta embrutecida?

Essa era a fase daquela música [co­meça a cantar: “O Risco que corre o pau corre o machado, não há o que temer, aquele que manda matar também tem que morrer. Eu já tenho machado fal­ta só botar a cunha, e fazer a moda ga­to, dar o tapa e esconder a unha. Nós es­tamos em guerra, o lado de lá já decre­tou, pois já pagou pistoleiro para matar trabalhador. É a nossa proposta, pois a gente quer ganhar, se matarem um da­qui, dez de lá vamos matar...”]

Para mudar o rumo da política, só o enfrentamento. Ao longo desses anos, mataram muitos camponeses, mas nós também derrubamos do lado de lá. E sei que muita gente ainda vai morrer por causa da luta pela terra no Brasil.

Quais são os desafios da luta pela terra atualmente?

São muitos, a bandeira pela reforma agrária é uma a ser utilizada pelos cam­poneses. Mas, a formação é outro ca­minho importante. Temos que formar quadros na cidade e no campo. O tra­balhador e a trabalhadora precisam to­mar conhecimento sobre o mundo.

Eu não tinha formação nenhuma quando eu era adolescente, só fui adquirir cons­ciência política na juventude. Naque­la época, tinha muito companheiro que não tinha clareza das coisas e nós tínha­mos que fazer um trabalho de formação para que os camponeses entendessem que aquela disputa pela terra, ou a lu­ta contra o latifúndio, era para fundar uma nova sociedade, que melhoraria para muitas pessoas.

O senhor é um dos fundadores do PT. Está decepcionado com o partido, que apoia a oligarquia Sarney no Maranhão?

Não vou largar o PT agora, ainda exis­te possibilidade de mudanças.

Qual a sua relação com Sarney?

O Sarney fez uma campanha com um discurso bonito em 1966 para go­verno do Maranhão. Eu acreditei ne­le e os camponeses em geral apoiaram sua candidatura, principalmente no te­ma da reforma agrária. Mas quando foi eleito, combateu com bastante violên­cia as ações dos camponeses no Mara­nhão. Eu cortei todas as relações que eu tinha com Sarney há muito tempo. Ele nunca mais me procurou também.

O senhor se lembra da viagem que fez a China na década de 1960?

Sim, viajei por vários lugares do país chinês. Não encontrei com Mal Tse Tung, ele estava muito atarefado, tive muita vontade de vê-lo, mas apenas tro­camos mensagens via seus assessores.

Que mensagem o senhor deixa aos camponeses que reivindicam a reforma agrária no Brasil?

Ainda hoje eu penso: se a gente es­quecer de lutar pela terra nós estamos indo pelo caminho errado, tem que con­quistar a terra sabendo o que vai fazer com ela. Uma coisa que nós consegui­mos compreender em todo esse tempo de luta é que a terra é um bem comum e não pode ser destinada a quem somen­te quer ganhar dinheiro.

O que faz um homem que chega aos 80 anos com tanta história?

Entrego-a à minha classe para que ou­tros dêem continuidade a minha vida.

(Colaboraram Charles Trocate e Ber­nardo Trocate)

 

 

Já não podemos calar.
Chega o tempo de vencer,
Chega o dia de lutar sem morrer.
A única forma de vencer a morte é enfrentá-la
O único jeito de vencer é lutar
O único modo de fazer justiça é continuar lutando.
Assim viveremos eternamente.
(Ademar Bogo)

Foi entre mobilizações, estudos, debates, intercâmbios, poesias e músicas que aconteceu o VI Encontro Regional dos Atingidos pela mineração e o IV Encontro da Juventude Atingida pela Mineração (EJAM). Os dois encontros foram realizados nos dias 18 e 19 de julho, em Marabá – PA. Cerca de 150 jovens e adultos do Maranhão e Pará refletiram, debateram e elencaram planos sobre os impactos da mineração.

Os dois estados estão inseridos em um dos territórios mais impactados pelas atividades de extração, transporte e escoamento do minério de ferro. Para Danilo Chammas, advogado da Rede Justiça nos Trilhos, existe hoje no Brasil uma política que o coloca como exportador de riquezas. “Mais de 50% do minério de ferro que a Alemanha importa sai do Brasil; desse, boa parte é extraído do Pará. A Alemanha é líder na produção de peças para automóveis, com isso, as peças que são produzidas com matéria-prima do Brasil, retornam mais encarecidas para nós”.

Há ambiguidades na gestão político-econômica do plano nacional de mineração. Entre eles, a flexibilização da legislação, a privatização de serviços e o financiamento de empreendimentos e grandes projetos com dinheiro público. Os movimentos sociais e as comunidades encontram-se num contexto adverso e denunciam a crescente violência ambiental nos territórios onde há exploração mineral. Durante o Encontro dos Atingidos pela mineração, os moradores de comunidades rurais e urbanas do Pará e Maranhão se identificaram como vítimas de dezenas de impactos.

Destruição do ambiente, violação dos direitos de ir e vir e do direito à informação, poluição, violência, ausência de políticas públicas. Qual a relação desses problemas com a mineração? Para Raimundo Gomes da Cruz, do CEPASP, desde 1984 começou a preocupação com as questões ambientais ligadas à implantação de grandes projetos. “A barragem de Tucuruí, por exemplo, gerou impactos que até hoje não foram reparados. Comunidades inteiras deram lugar ao interesse pela geração de energia. Muitas dessas pessoas ainda hoje vivem sem energia elétrica. Essa é a farsa das grandes empresas, para implantar a desgraça em nossas terras”. Ele conta que também acompanhou a construção da Estrada de Ferro Carajás (EFC), um projeto que desestrutura as comunidades por onde passa.

Segundo Danilo Chammas, a maioria desses empreendimentos, assim como a duplicação da EFC, o mais novo projeto da empresa Vale S.A. em andamento, são realizados de forma ilegal. “Entretanto, o lado bom é que a legislação dos direitos humanos garante que os direitos sejam reparados de forma integral. Então precisamos nos antecipar, quanto à chegada de novos empreendimentos em nossa região”.

Na semana que antecedeu o Dia Mundial contra a Mineração, comemorado no dia 22 de julho, os participantes do Encontro Regional dos Atingidos pela Mineração dialogaram e refletiram sobre um futuro sem mineração ou um futuro onde os recursos naturais sejam usados de forma sustentável.

 

http://www.justicanostrilhos.org/VI-Encontro-Regional-dos-Atingidos

Foto: divulgação.

Moradores de Demanda em visita à SMDH. Autor: Foto: divulgação.

Moradores de Demanda em visita à SMDH.

 

Reassentamento de famílias por conta de instalação de termelétrica, previsto para janeiro passado, ainda não aconteceu

Moradores do povoado Demanda, em Santo Antonio dos Lopes/MA, visitaram a Sociedade Maranhense de Direitos Humanos (SMDH) na manhã desta quinta-feira (17). A visita integra uma série de diálogos que a comunidade vem travando junto à entidade, órgãos públicos e meios de comunicação, no sentido de denunciar os desmandos da Eneva (ex-MPX Energia S.A.) no local.

Segundo relatam, a empresa se instalou em Santo Antonio dos Lopes em 2010 com vistas a implantar uma usina termelétrica. O remanejamento da comunidade Demanda, inicialmente dito desnecessário pela empresa, hoje mostra-se uma realidade diante do quadro de poluição. “Uma senhora, outro dia, perdeu o olho”, relata o lavrador Dario Mota Sampaio (27). “A poluição é terrível. As chaminés soltam vapor o tempo inteiro, de noite quando o vento para, ninguém aguenta [o cheiro forte]”, continua.

Desde outubro de 2013 não são permitidas benfeitorias, plantio ou criação de pequenos animais. A previsão de remanejamento, com indenização, era janeiro de 2014. “A empresa prometeu que assistiríamos a Copa do Mundo já na nova área, mas até agora nada saiu do papel”, continua o morador. “Nada foi feito e terraplanagem e drenagem estão previstas para agosto, mas ninguém sabe se vão acontecer, é apenas uma previsão”, conta o lavrador Ronilson Almeida (21).

Os lavradores e quebradeiras de coco que visitaram a SMDH são unânimes em afirmar que nenhuma das promessas da empresa, em acordo mediado pela Defensoria Pública do Estado do Maranhão, foi cumprida. “Os defensores estiveram lá, leram tudo o que a empresa nos oferecia, mas nada foi cumprido. Por último soubemos que as casas prometidas não manterão o padrão atual”, afirma, referindo-se ao que previa o acordo: a manutenção do padrão das construções e áreas cultiváveis na área prevista para o reassentamento.

Quanto ao reassentamento, outro problema é o número de famílias: de acordo com o censo realizado por uma empresa contratada pela Eneva, finalizado em julho de 2012, 61 famílias irão ocupar um novo terreno. “Mas este número cresceu. Várias pessoas da comunidade casaram, constituíram família. Hoje são 71 famílias e a empresa só quer incluir mais cinco, deixando outras cinco de fora”, continua Ronilson. “Têm que ser incluídos todos, e não com minorias [redução de direitos], mas com direitos iguais”, afirma.

Ainda segundo os moradores, algumas lideranças locais foram cooptadas. “Mas se você perguntar, mais de 90% dos moradores querem o reassentamento com todos os direitos. Só é a favor da empresa quem está lucrando com isso”, afirmaram.

Além do reassentamento são previstos, no acordo, o pagamento de um salário mínimo para cada família cadastrada pelo período de 18 meses (para cobrir o período em que ficaram sem plantar), um trator equipado para a comunidade e a assistência técnica por um engenheiro agrônomo.

Desculpas – Segundo os moradores, a desculpa comum ouvida em relação ao não cumprimento dos acordos é que “a empresa de Eike Batista quebrou. Mas só mudou de nome, os funcionários continuam os mesmos, denunciam.

Agenda – Entre hoje (17) e amanhã (18) os moradores de Demanda farão visitas ao promotor de justiça agrário Haroldo Paiva, ao procurador da República no Maranhão Alexandre Soares e à ouvidora da Defensoria Pública do Estado do Maranhão Mari-Silva Maia, além de meios de comunicação.

http://smdh.org.br

 

divulgação

 Autor: divulgação

 

 

Operação de guerra realiza despejo ilegal e promove prisão de lavradores no P.A São Francisco, Bom Jesus das Selvas, Sudoeste do Maranhão, para favorecer a SUZANO PAPEL CELULOSE.

No último dia 15.07.2014, dezenas de trabalhadores rurais assentados da reforma agrária do P.A São Francisco, município de Bom Jesus das Selvas-MA, foram brutalmente despejados de suas casas e roças por policiais militares, que deram cumprimento à decisão judicial ilegal prolatada pelo juiz da Comarca de Buriticupu, AILTON GUTEMBERG CARVALHO LIMA, em favor de grileiros de terra que arrendaram área pública para a Suzano Papel Celulose.

Entenda o caso:

Em 2002, após anos de luta pela terra, o INCRA criou projeto de assentamento destinando três mil hectares para 40 famílias. Passados dois anos, em 2004, o ex-deputado federal da Bahia Francistônio Pinto, já falecido, alegou ser dono de parte do P.A e ingressou com ação de reintegração de posse, que culminou com o primeiro despejo contra as famílias de trabalhadores rurais. Após várias perícias, ficou constatado que mais de mil hectares de terras foram apropriadas ilegalmente pelo fazendeiro. Contudo, apesar de todas as evidências, o INCRA pouco fez para reverter a situação de injustiça e violência. Após o primeiro despejo, mais de 20 famílias não conseguiram pagar os empréstimos contraídos juntos ao BND (Pronaf) e até hoje estão com restrição de crédito.

Apesar das inúmeras reuniões, realizadas com a Superintendência do INCRA no Maranhão e com a Ouvidoria Agrária Nacional, foi a Suzano Papel Celulose que saiu lucrando com a desgraça das famílias. Da análise documental, chega-se à conclusão que o grileiro e ex-deputado tem apenas 2.000 hectares de terra, contudo, fisicamente, ocupa 3.500 hectares, sendo 1,5 mil hectares do P.A São Francisco. De maneira ilegal, a Suzano Papel e Celulose, visando o abastecimento de sua fábrica em Imperatriz (MA), arrendou 3 mil hectares de terra, sendo destes, 1 mil de terras públicas, para o plantio de eucalipto.

Os trabalhadores, cansados de esperar, resolveram reocupar a área grilada pelo latifúndio e reerguer suas casas e plantar mandioca, milho, feijão. Contudo, tiveram que enfrentar um batalhão do Estado composto por PM, juiz e oficial de justiça. Ao invés de levarem justiça, plantaram a mais tenebrosa ilegalidade.

Uma decisão com um único sentido: pilhagem!

Apesar das diversas manifestações nos autos do processo feito pela Procuradoria Federal do INCRA no Maranhão, que requereu o ingresso na ação de reintegração de posse, realizada em 2008, com parecer favorável do Ministério Público, pela remessa do processo para a Justiça Federal, somente em junho de 2014, decidiu o juiz AILTON GUTEMBERG CARVALHO LIMA remeter o mesmo somente em 11 de junho de 2014. Apesar de que, declinada a competência para a Justiça Federal, as decisões tomadas no curso do processo perdem o efeito, o mesmo juiz determinou a realização do despejo. Parte da decisão precisa ser aqui reproduzida, para evidenciar o poder da caneta, mesmo em situação de completa ilegalidade:

Ante o exposto, fazendo uso do poder geral de cautela no resguardo da efetividade de posterior tutela jurisdicional definitiva e, principalmente, para evitar posteriores confrontos mais intensos, DEFIRO o pedido de revigoramento do mandado de manutenção de posse, no entanto, considerando que o requerente foi esbulhado do imóvel determino a reintegração de posse do imóvel ora em litígio, em favor da parte autora, conforme dispõe o art. 928 do CPC. Fica a parte requerida, ainda, proibida de praticar quaisquer atos de turbação ou esbulho, até ulterior deliberação, sob pena de pagar a multa diária de R$ 100,00 (cinqüenta reais), por pessoa, sem prejuízo da resposta criminal à transgressão da ordem judicial. Havendo resistência ao cumprimento desta decisão, autorizo o uso da força pública. NÃO OBSTANTE, considerando que o INCRA solicita o seu ingresso no feito e, em consequência, o deslocamento do processo à Justiça Federal, nos termos do artigo 109, inciso I, da Constituição Federal e artigo 5º, parágrafo único, da Lei 9.469/97, nos termos da Súmula nº 150 do STJ, “compete à Justiça Federal decidir sobre a existência de interesse jurídico que justifique a presença, no processo, da União, suas autarquias ou empresas públicas”, cumpridas as determinações possessórias indicadas ao norte, DETERMINO o envio do presente processo à Justiça Federal para que se manifeste acerca de eventual interesse da União no feito e por conseqüência, acerca da competência para processamento de julgamento da demanda. SERVE A PRESENTE DE MANDADO

O juiz AILTON GUTEMBERG CARVALHO LIMA violou, com grande fúria, normas do processo civil e da Constituição Federal. Ultrapassou seus limites de atuação, pois não poderia mais prolatar decisão no processo em que já não mais tinha competência. Mas decidiu em favor de um único fazendeiro, solapar os direitos humanos à alimentação, moradia e trabalho de dezenas de famílias de trabalhadores pobres.

Mais violências:

Durante a operação de guerra, com mais de 50 Pms, que solapou o sonho de lavradores pobres, 4 destes, incluindo uma liderança, foram presos em flagrante, sob a alegação de porte ilegal de arma. Durante boa parte do dia 15.07.14, ficaram incomunicáveis e permanecem presos na 2a Delegacia de Açailândia-Ma, onde aguardam decisão judicial que determine.

E a Suzano?

Ao passo que assiste de camarote a destruição de uma comunidade inteira, a Suzano Papel Celulose amplia suas florestas artificiais na região sudoeste do Maranhão, para abastecer sua fábrica na cidade de Imperatriz-Ma, uma das maiores do mundo, e ampliar seus lucros. Financiará várias campanhas eleitorais e cobrará a fatura em forma de acesso a terra (griladas, públicas, etc) e créditos ilimitados para ampliar seus lucros e receitas. Brevemente, pretende em São Luís, capital do Maranhão, construir um porto para escoar sua produção de celulose. Para tanto, terá que desalojar a comunidade pesqueira do Cajueiro, uma história que contaremos em outra oportunidade.

E o Sudoeste do Maranhão, como fica?

Nos últimos 30 anos, a região sudoeste do Maranhão foi palco de inúmeras chacinas, vitimando lavradores que resistiram à grilagem de terras. Há, em curso, várias operações de reintegração de posse para despejar as famílias assentadas. Na região, imperam o silêncio e a bala. Em 2012, Raimundo Cabeça, por denunciar esquemas de venda de lotes da reforma agrária, foi morto. Trinta anos antes, em 1982, Elias Zi, líder do STTR de Santa Luzia, foi morto em plena luz do dia na feira. Tanto no primeiro, quanto no segundo crime, ninguém foi punido.

Diogo Cabral- assessor jurídico da FETAEMA e CPT/MA

Fórum Carajás

 



Confirmação da notícia triste: seu Zé Enedina (liderança rural de Araioses-Ma)foi realmente assassinado. No seu corpo de mais de setenta anos foram constatadas várias lesões produzidas por facadas. Vou me deslocar amanhã para o município de São Bernardo. SMDH de luto, reforma agrária de luto."

Nota: este é o quarto assassinato no Maranhão. Na semana passada, em Chapadinha, num confronto entre posseiros, um tombou e outro se encontra à beira da morte no hospital Socorrao 2, na capital, São Luís. Nessa mesma semana, violento despejo expulsou 42 famílias de suas terras, griladas pelo latifúndio em favor da Suzano. 4 trabalhadores foram presos. No final de junho, um indígena Awa Guaja sofreu tentativa de homicídio, dentro da TI AWA GUAJA. Antes, Raimundo Brechó foi morto em Timbiras, leste do Maranhão. Seu nome constava na relação dos ameaçados de morte da CPT. O inquérito policial nunca foi concluso, e há quatro meses se encontra parado! 
Atualmente, várias são as pessoas ameaçadas de morte no Maranhão, por suas lutas em defesa do território, do meio ambiente saudável e por paz. Nada foi feito nos últimos 5 anos, nem pelo Governo Federal, muito menos pelo Governo do Maranhão, para proteger os defensores dos direitos humanos.
Apesar da firme pressão, inclusive realizada pela Anistia Internacional, em várias ações urgentes lançadas para proteger líderes e comunidades tradicionais maranhenses, o Estado vira as costas para os pobres da terra. Talvez porque não façam partes do projeto econômico que solapa esta nação e o Maranhão.

Aqui fica o registro da indignação por mais um ato de selvageria e brutalidade que torna o Maranhão recordista nacional em conflitos agrários no país.

Não passarão!

Diogo Cabral

Campanha

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